• Thiago Azevedo
  • 3 de abril de 2024

Legislativo Municipal recebe visita de membros do Conselho Municipal de Cancale

O parlamento municipal de São Luís recebeu na manhã de ontem, 01, a visita de membros do Conselho Municipal de Cancale. O objetivo do encontro foi estreitar relações entre a capital maranhense e a comuna localizada na França.

A comitiva foi recepcionada pelos parlamentares no plenário Simão Estácio da Silveira após o fim da sessão ordinária. Na ocasião o vereador Aldir Júnior, que já participou de trabalhos legislativos na comuna francesa, mediou o diálogo.

“Foi uma conversa bastante amistosa, falando do respeito que o país deles têm por São Luís por ser uma capital fundada por franceses. O cunho da viagem é estreitar relações e conhecer um pouco mais da nossa história”, declarou Aldir.

“É uma satisfação recebê-los. Esta é uma casa legislativa com uma trajetória de 400 anos onde a sua história passa pela nossa e a nossa passa pela deles. Esse é um ponto converso que nos une”, completou o presidente Paulo Victor.

  • Thiago Azevedo
  • 3 de abril de 2024

Projetos aprovados na Câmara abordam violência obstétrica, prova de vida e vacinação nas escolas

Importantes projetos foram aprovados na sessão da Câmara Municipal de São Luís, nesta segunda-feira (1º), abordando questões relacionadas com as áreas da saúde e assistência social. As iniciativas foram apresentadas pelos vereadores Aldir Júnior (PL), Raimundo Penha (PDT) e Rosana da Saúde (Republicanos), tratando respectivamente de violência obstétrica, prova de vida e vacinação nas escolas.

O Projeto de Lei do vereador Aldir Júnior tem objetivo de combater a violência obstétrica, uma questão de extrema relevância para a saúde das mulheres, no período de gestação e parto. A violência obstétrica é um problema persistente, que muitas vezes passa despercebido, e pode causar danos físicos e emocionais significativos para as mulheres.

O texto trata da adoção de medidas de proteção contra a violência obstétrica e divulgação de boas práticas para mais humanização, atenção à gravidez, parto, nascimento, abortamento e puerpério. Também determina que, no período pré-natal, seja elaborado plano de parto, contendo as necessidades e expectativas da gestante.

“Não existe legislação federal sobre o tema e nem conceito específico do que seria esse tipo de violência. Sendo assim, o projeto vem caracterizar essa forma de violência, assegurar o princípio constitucional da dignidade humana, respaldar profissionais da saúde e somar na aplicação de sanções àqueles que submetem a mulher a esse tipo de tratamento. É uma satisfação ver o projeto aprovado e considero uma importante vitória às mulheres”, ressaltou Aldir Júnior.

O projeto propõe ainda elaboração de políticas públicas voltadas para a prevenção e combate à violência obstétrica, incluindo a capacitação de profissionais de saúde, a promoção de campanhas de conscientização e a garantia de acesso a um parto humanizado e respeitoso.

Prova de Vida

O vereador Raimundo Penha teve aprovado projeto que trata das diretrizes para realização da prova de vida dos beneficiários do Regime Próprio de Previdência dos Servidores Públicos (RPPSP) de São Luís.

Segundo o texto, no ano em que ocorrer o procedimento de recadastramento pelo órgão de previdência municipal, será dispensada a realização da prova de vida destes beneficiários. Esta será feita por confirmação de que o titular realizou algum ato registrado em bases de dados dos órgãos de referência públicos federais, estaduais, municipais e também, quando for o caso.

Serão considerados válidos como prova de vida, acesso pelo beneficiário ao aplicativo MEU RPPS ou outros certificados no país; realização de empréstimo consignado; e em atendimento presencial na sede do órgão de previdência do município.

A proposta vem para regulamentar o procedimento de prova de vida de aposentados, inativos e pensionistas de São Luís, justificou Raimundo Penha. Ele disse que a preocupação se dá por vários casos e dificuldades, relatados por cidadãos que tiveram suas aposentadorias ou de familiares, bloqueados por não terem condições de comparecer ao Instituto de Previdência.

“Não vemos como adequado e proporcional, exigir que um aposentado ou pensionista, muitas vezes sem qualquer possibilidade de locomoção ou de auxílio de cuidadores e, ainda, aqueles que residem em outro município ou até no exterior, tenham que se dirigir até o órgão para provar que está vivo, sob pena de lhe ser tolhido o direito de receber seus benefícios. Atualmente, há mecanismos suficientes para facilitar os procedimentos da prova de vida desses beneficiários, sem que eles precisem se deslocar até uma unidade de atendimento”, pontuou Penha.

Ele destacou ainda que o comparecimento presencial pode ser feito quando não houver registros suficientes para confirmar a titularidade do benefício. “A aprovação deste projeto garante os benefícios e direitos dos próprios segurados”, reiterou o parlamentar.

Vacinação nas escolas

Promover a vacinação nas escolas para aumentar a cobertura vacinal e prevenir doenças entre os estudantes é o foco de projeto da vereadora Rosana da Saúde. Ela destacou que a vacinação é uma das medidas mais eficazes para proteger a saúde das crianças e adolescentes, além de contribuir para a redução da transmissão de doenças na comunidade e sua proposta trata da realização de campanhas de vacinação periódicas nas escolas, garantindo assim o acesso gratuito e facilitado às vacinas recomendadas para a faixa etária escolar.

A norma institui a Campanha Permanente de Promoção da Vacinação, a ser implementada nas escolas da rede pública municipal de ensino e também em escolas particulares de São Luís. O projeto sugere um mecanismo de conscientização contínua de escolares, professores, pais e colaboradores sobre a necessidade e reforça a importância da vacinação para este público.

“A Organização Mundial de Saúde afirma que, graças às vacinas são evitadas, a cada ano, entre 2 e 3 milhões de mortes por doenças preveníveis. Queremos estimular a prevenção de doenças através da imunização, e promover a saúde no âmbito escolar, realizando ações de estímulo e sensibilização nas comunidades escolares para desconstruir as campanhas contra as vacinas, pois é uma questão de defesa da vida”, enfatiza Rosana da Saúde.

  • Thiago Azevedo
  • 2 de abril de 2024

Governo e ApexBrasil firmam parceria para capacitar empresas e ampliar as exportações no MA

Para ampliar a capacidade de exportação das empresas maranhenses o Governo do Maranhão e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) firmaram parceria para a implantação de dois programas no estado para capacitar e habilitar 75 empresas para oportunidades de negócios internacionais. A parceria foi anunciada durante o seminário Diálogos Exporta Mais Brasil, em São Luís, que contou com a presença do governador Carlos Brandão e do presidente da agência, Jorge Viana.

O Exporta Mais Brasil 2024 acontece em São Luís até a terça-feira (2) e é direcionado ao setor de couros e curtumes. O evento tem como objetivo apresentar oportunidades do comércio exterior para empresários maranhenses e é organizado pela ApexBrasil com o apoio do Governo do Maranhão por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) e da Secretaria de Estado de Indústria e Comércio (Seinc).

Durante o seminário o governador Carlos Brandão informou que a nova parceria entre o Governo do Maranhão e a ApexBrasil amplia o número de empresas beneficiadas. Anteriormente, 50 empreendimentos maranhenses participaram das capacitações promovidas pela agência.

“Agora, serão mais 75 empresas. Com isso vamos dar mais condições para que as empresas possam ter o seu produto comercializado no exterior, com um preço mais competitivo, gerando mais empregos e renda no nosso estado. Desta vez nosso foco está na indústria do couro. Temos um grande polo na região de Governador Edison Lobão e nós precisamos agora industrializar essa produção”, disse o governador Carlos Brandão.

Brandão também aproveitou o evento para destacar os resultados positivos da economia maranhense. “O Maranhão está vivendo um dos melhores momentos da sua história. Recentemente recebemos o resultado do PIB publicado pelo Banco do Brasil, que demostrou que tivemos o maior crescimento do PIB no Nordeste. Isso significa que nós estamos no rumo certo, por isso, precisamos continuar dando condições para que as empresas ampliem seus negócios”, afirmou.

Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, ressaltou as potencialidades do Maranhão que favorecem as exportações. “O Maranhão tem toda uma vocação para exportação. O Estado tem um grande porto público e dois privados, tem ferrovias, tem os biomas adequados para produções diversas, tem empreendedores interessados em expandir seus negócios e um governo que busca fortalecer as cadeias produtivas e as oportunidades de negócios. Por tudo isso o Maranhão se credencia em disputar as primeiras posições entre os estados que mais vão exportar nos próximos anos”, assinalou.

Programas da ApexBrasil

Um dos programas que serão desenvolvidos no Maranhão é o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), iniciativa da ApexBrasil que oferece para empresas de todos os portes e setores capacitação gratuita para exportação. Por meio do novo ciclo do PEIEX Maranhão 75 empresas poderão iniciar o processo de exportação de forma planejada e segura.

O outro programa é o Exporta Mais Brasil, criado para ampliar as exportações, especialmente do Nordeste e do Norte do país. Como parte das ações desse programa no Maranhão a ApexBrasil trouxe toda a cadeia produtiva da indústria do couro para o Estado, que conta com 25 empresas do setor dentre as 214 em funcionamento em todo o país.

Ao logo da terça-feira (2), na sede da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema) os empresários maranhenses poderão prospectar e até mesmo fechar negócios com alguns dos principais compradores internacionais de países como a China, Estados Unidos, Equador, Colômbia e África do Sul.

Para isso será realizado um seminário e showroom na sede da Fiema para que os empresários participem de rodadas de negócios no setor de couros e curtumes, conheçam as oportunidades de negócios internacionais e apresentem as vantagens competitivas do Maranhão para os exportadores.

  • Thiago Azevedo
  • 2 de abril de 2024

Fribal, Mateus e Frigotil são alvos de denúncia de prática de preços abusivos

As empresas Fribal (Rio Grande Comércio de Carnes Ltda.), Frigotil (Frigotil Frigorífico de Timon S/A.), Fribal Franchising Ltda. – EPP e Mateus Supermercados S/A. foram denunciadas ao Ministério Público estadual por práticas abusivas contra consumidores do Maranhão.

Mediante relatos expostos em notícia fato encaminhada ao MPMA, a titular da 11ª Promotoria Especializada na Defesa do Consumidor, Alineide Martins Rabelo Costa, instaurou um inquérito civil para investigar se os estabelecimentos comerciais estão de fato praticando de forma excessiva e elevada a alta nos preços da carne bovina, sem justa causa, no mercado de consumo maranhense, o que caracterizaria uma espécie de cartel.

O Ministério Público iniciou as apurações a cerca das denúncias que, se contatadas vão gerar Ação Civil Pública contra as empresas representadas pela Promotoria do Consumidor.

  • Thiago Azevedo
  • 2 de abril de 2024

Diego Galdino terá cargo no Ministério do Esporte a convite de Fufuca

Após integrar a equipe do ex-ministro Flávio Dino, no Ministério da Justiça e Segurança Pública, o advogado Diego Galdino passa a integrar a equipe do Ministério do Esporte a convite do ministro André Fufuca.

Diego Galdino será secretário-executivo do Ministério do Esporte, uma espécie de número dois.

Diego Galdino foi secretário de Cultura, Governo e Casa Civil na gestão do ex-governador Flávio Dino e atualmente integrava a equipe da vice-governadoria comandada por Felipe Camarão (PT).

  • Thiago Azevedo
  • 2 de abril de 2024

Maranhão apresenta principais iniciativas de inovação e tecnologia

Como o setor público pode inovar e tornar a prestação dos serviços mais eficiente? Esta é uma das perguntas que serão debatidas durante o Convergência 2024, evento gratuito e de alcance nacional que acontece no Multicenter Negócios e Eventos, em São Luís, até o próximo dia 3, com uma ampla programação que inclui a 4ª edição do prêmio Conexão Inova e o 1º Encontro de Redes de Inovação no Setor Público. O governador Carlos Brandão participou da abertura, na noite desta segunda-feira (1º), apresentando as iniciativas do Governo do Maranhão no setor.

  • Thiago Azevedo
  • 1 de abril de 2024

Nova pesquisa confirma liderança de Vinícius Vale em Barreirinhas

Uma nova pesquisa eleitoral, realizada pelo Instituto DataM, divulgada nesta segunda-feira, 1º, reafirmou a liderança do pré-candidato a prefeito na cidade de Barreirinhas, Vinícius Vale (MDB). O levantamento foi contratado pela Rádio Mirante/Imirante.

Nos dois cenários, tanto estimulado como espontâneo, o emedebista sai na frente abrindo larga vantagem com relação ao segundo colocado, o ex-prefeito Léo Costa.

No espontâneo, Vinícius alcançou 29,4% das intenções de voto enquanto Léo Costa (Podemos) obteve 14,8%. Em terceiro lugar aparece o atual prefeito, Amílcar Rocha, com 10,6%. Em seguida Joab Marreiros com 1,8%, Thiago Rodrigues com 0,6% e por último Antônio Carlos com 0,2%. Os votos em branco e nulos são 4,9% e os indecisos, 37,7%.

No cenário estimulado, Vale também lidera a lista com 37,9 % da preferência do eleitorado enquanto Léo Costa aparece em segundo com 26%. Amílcar Rocha alcançou 11,6%, Joab Marreiro 3,6%, Thiago Rodrigues 0,8%, e Totonho Corrêa 0,8%. Brancos e nulos somam 6,9%.

Em um outro cenário em que somente Vinícius Vale e Léo Costa foram citados como pré-candidatos, 42,4% dos eleitores optaram pelo filho da deputada Iracema Vele e 32,1% preferem o ex-prefeito de Barreirinhas.

A pesquisa também avaliou o índice de aprovação da administração do atual prefeito de Barreirinhas, Amílcar Rocha: 72% não aprova e apenas 22,3% aprova.

A pesquisa do Instituto DataM, protocolada junto à Justiça Eleitoral sob n/º 08902/2024, entrevistou 507 eleitores entre os dias 23 a 25 de março, tem margem de erro de quatro pontos percentuais para mais ou para menos e intervalo de confiança é de 95%.

  • Thiago Azevedo
  • 1 de abril de 2024

Câmara de São Luís: Comissão de Ética tem nova composição para analisar caso Domingos Paz

A Câmara Municipal de São Luís instituiu, nesta segunda-feira(1), a nova composição da Comissão de Ética e Decoro da Casa.

Os vereadores Aldir Júnior e Francisco Chaguinhas integravam a Comissão de Ética, que terá a composição completa com as inclusão dos vereadores Marcial Lima, Andrey Monteiro e Astro de Ogum. Creuzamar de Pinho ficou como suplente.

O colegiado se reunirá para eleger um novo presidente num prazo de 48h para que os trabalhos sejam reiniciados. O vereador Nato Júnior, titular do cargo, está de licença do mandato, assim como o Coletivo Nós, que também integra a comissão.

A partir daí a Comissão de Ética analisará o caso envolvendo o vereador Domingos Paz, acusado de estupro e assédio sexual.

Em entrevista ao blog do John Cutrim, o vereador Aldir Jr. disse que deve entregar seu relatório até o final do mês para que seja apreciado pela comissão e o plenário.

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  • Thiago Azevedo
  • 1 de abril de 2024

Comissão faz esforço concentrado no Senado para votar Código Civil

A comissão de juristas responsável pela revisão e atualização do Código Civil promove no Senado, na próxima semana, entre 1º e 5 de abril, esforço concentrado para votar o relatório final com propostas de alteração em mais de mil artigos e sobre temas de difícil consenso, como direito da família, dos animais e de propriedade. 

Um dos pontos que levanta polêmica no campo conservador, por exemplo, diz respeito ao direito do nascituro – o feto em gestação. O texto de um dos relatórios apresentados em fevereiro, com um anteprojeto de proposta final, diz que os direitos antes do nascimento são protegidos “para efeitos deste Código Civil”.

A expressão, que aparenta limitar o alcance dos direitos do nascituro, foi usada para alimentar notícias falsas, sobretudo em círculos católicos e de direita, de que a comissão de juristas estaria tentando facilitar o aborto, aponta o professor e jurista Flávio Tartuce, um dos relatores da reforma do Código Civil.

“Não tratamos de aborto no projeto”, enfatizou Tartuce à Agência Brasil. Ele nega motivações ideológicas na comissão de juristas e assegura que o trabalho é técnico. O professor destaca que ainda não há relatório final aprovado e que muitas emendas e destaques já foram feitos ao anteprojeto apresentado em fevereiro.

Ele acrescenta que “o Código Civil sempre motiva debates, você lida ali com a vida do cidadão desde antes do nascimento até depois da morte, é normal haver discordâncias. Mas há também as polêmicas promocionais, de pessoas que querem se promover, e entre essas a grande maioria não leu nada”.

Organizações como a União de Juristas Católicos chegaram a publicar manifestações contrárias a toda iniciativa de revisão do Código Civil. “A proposta não é uma mera ‘atualização’ – que pressuporia apenas ajustes pontuais em um código relativamente novo, com pouco mais de 20 anos de vigência – , mas a refundação da própria visão de sociedade, de pessoa e de família que normatiza a nossa nação”, disse a entidade, em nota.

Em resposta, Tartuce nega que proponha um “Novo Código Civil”, tratando-se de uma “atualização”. Ele afirma que a comissão de juristas “está muito longe de querer criar polêmicas ou trazer uma revolução de costumes. Nossa prioridade é destravar a vida das pessoas, ajudar a resolver os problemas”.

O primeiro Código Civil brasileiro, com essa denominação, data de 1916. Ele foi substituído pelo código atual, que entrou em vigor em 2002, após quatro décadas de discussões. Alguns críticos pontuam que o código atual tem somente 22 anos, motivo pelo qual seria cedo para promover uma revisão.

A esse argumento, Tartuce lembra que a velocidade das mudanças na sociedade cresce de modo exponencial, com transformações especialmente intensas ao longo das últimas décadas. Quando o Código Civil atual foi aprovado, por exemplo, sequer havia smartphones no país. “O código atual é analógico, é preciso trazê-lo para o mundo digital”, acentua o professor.

A criação de uma Comissão de Juristas para revisar o Código Civil partiu do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Após ser questionado por senadores conservadores, ele defendeu a iniciativa no plenário da Casa, afirmando que o objetivo não é elaborar um “novo Código Civil”, mas preencher lacunas no código atual. “É um trabalho totalmente independente. A decisão final é do Parlamento”, disse.

A Comissão de Juristas é presidida pelo ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e composta por 36 juristas especializados no assunto. Os relatores são o professor Flávio Tartuce, e a desembargadora Rosa Maria de Andrade Nery. O grupo recebeu 180 dias de prazo para apresentar a Pacheco um projeto de lei com as novas propostas para o Código Civil. Esse prazo vence em 12 de abril.

Com mais de 2 mil artigos, o Código Civil regula todos os direitos relativos à personalidade do indivíduo e às relações em sociedade, incluindo temas como casamentos, contratos, heranças e direitos das empresas, entre muitos outros. Em artigo célebre, o jurista Miguel Reale descreveu a lei como “a Constituição do homem comum”.

Mudanças

– Logo no artigo 1º, um dos relatórios parciais já apresentados propõe um novo parágrafo para inserir no Código Civil os direitos e deveres previstos em tratados internacionais aderidos pelo Brasil, a chamada “personalidade jurídica internacional”.

– No artigo 2º, o texto da relatoria-geral propõe inserir a previsão de que a personalidade civil “termina com a morte encefálica”, o que é visto como uma tentativa de facilitar a doação de órgãos, por exemplo.

– Outra proposta prevê que os animais passem a ser considerados “objetos de direitos” de natureza especial, na condição de “seres vivos dotados de sensibilidade e passíveis de proteção jurídica”. O ponto traz para o Código Civil interpretações que já tem sido feitas no dia a dia do Judiciário, que precisa lidar, por exemplo, com a tutela de bichos de estimação no caso de separação de casais.

– No livro de direito de família foi proposta a mudança de nome para “das famílias”, no plural. Foi proposta também a criação de uma nova figura jurídica, chamada de “convivente”, além do “cônjuge”, para descrever as uniões estáveis.

– Relatório parcial prevê a exclusão do cônjuge ou convivente como herdeiro necessário. Isso significa que o companheiro ou companheira pode ser excluído da herança, sendo obrigatório somente descendentes e ascendentes entre os herdeiros. Segundo justificativas de membros da comissão, a intenção é atualizar o Código Civil em relação aos relacionamentos muito mais fluidos na atualidade.

– Uma das propostas é a inserção de um livro novo no Código Civil, para tratar de direito digital. Alguns dos artigos, por exemplo, preveem a validade das locações por meio de aplicativo, como de carros, quartos ou casas. Outro ponto é a regulação das assinaturas eletrônicas.

– O Código Civil atual prevê que todos que possuem alguma propriedade têm o direito de manter a posse sobre ela em caso de turbação ou esbulho, e de ter essa posse protegida. Uma das propostas apresentadas prevê que esses direitos poderão ser exercidos também coletivamente, “em caso de imóvel de extensa área que for possuído por considerável número de pessoas”.

  • Thiago Azevedo
  • 1 de abril de 2024

Julgamento que pode cassar Sérgio Moro inicia hoje, 1º

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) começa a julgar nesta segunda-feira (1º/4) as ações que podem levar à cassação do mandato de Sergio Moro (União – PR). O senador é acusado de abuso de poder econômico e dos meios de comunicação social, uso de caixa dois, além de infrações às normas de arrecadação e gastos eleitorais durante a pré-campanha eleitoral de 2022.

Caso seja condenado, Moro pode se tornar inelegível por oito anos. No total, sete desembargadores devem analisar as ações que pedem a cassação do parlamentar. No início do processo não há expectativa da presença dele no Tribunal, no entanto, o senador deve ser representado por seus advogados. Ele nega as acusações.

As duas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs) foram movidas uma pelo Partido Liberal do Estado Do Paraná (PL/Paraná) e outra pela Federação Brasil da Esperança – Fé Brasil (PT, PV e PC do B). Em dezembro, o Ministério Público se manifestou favorável à cassação.

Além do julgamento marcado para esta segunda-feira, a Corte também deve se reunir na quarta-feira (3/4) e no dia 8 de abril para analisar as ações movidas contra Moro.

Ações contra Sérgio Moro

Na acusação, os partidos afirmam que a pré-campanha de Moro para a Presidência da República e sua posterior candidatura ao Senado influenciaram a disputa eleitoral. Inicialmente, ele planejava concorrer à Presidência pelo Podemos, posteriormente, lançou-se candidato a deputado federal por São Paulo, mas acabou concorrendo ao Senado pelo Paraná.

Nesse contexto, argumentam que os gastos das campanhas se misturaram e, ao serem somados, lhe conferiu vantagem injusta em relação aos outros candidatos. Os gastos na corrida ao Senado e na pré-campanha à Presidência teriam ultrapassado os R$ 6 milhões, mais do que o limite estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que é de R$ 4,4 milhões para a disputa à Casa legislativa.

“Os investigados orquestraram conjunto de ações para usufruir de estrutura e exposição de pré-campanha presidencial para, num segundo momento, migrar para uma disputa de menor visibilidade, menor circunscrição e teto de gastos vinte vezes menor, carregando consigo todas as vantagens e benefícios acumulados indevidamente, ferindo a igualdade de condições entre os concorrentes ao cargo de Senador no estado do Paraná”, afirma o relatório do processo.

“O abuso do poder econômico transbordou para a utilização indevida de veículos e meios de comunicação social, pois o estratagema de cooptar o espaço midiático de um candidato presidencial, somado ao uso de propaganda partidária para exclusiva promoção pessoal e o desdobramento desses impulsos nos algoritmos da internet, gerou uma superexposição desmedida e prematura do primeiro investigado”, prossegue o desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza.

O relatório do caso detalha todas as acusações feitas pelos partidos, incluindo um possível caixa dois envolvendo a contratação de um escritório de advocacia, pago pelo União Brasil, que pertence a Luis Felipe Cunha, primeiro suplente de Moro, no valor de R$ 1 milhão.

Além dos serviços de advocacia, outra empresa do suplente de Moro teria sido contratada pelo Podemos para elaborar o plano de governo do senador, quando ele ainda era pré-candidato à Presidência “no valor total de R$ 360.000,00,[…], tendo ocorrido o pagamento de apenas duas parcelas, interrompendo-se a contratação com a saída do primeiro requerido da agremiação”.

O relatório ainda explicita ações utilizadas por Moro ou que ficaram à sua disposição, mas que não estariam em conformidade com as possibilidades de um candidato ao senado pelo estado. “Fazendo-se um breve apanhado, o primeiro requerido teve à sua disposição em pré campanha: (a) media training; (b) assessoria de imprensa; (c) planejamento de marketing; (d) produção de vídeos em ambos os partidos; (e) remuneração mensal; (f) figurinista; (g) consultoria jurídica; (h)evento de filiação e lançamento de pré-candidatura; (i) segurança privada; (j) viagens aéreas nacionais e internacionais para ele e equipe; (k) veículo blindado; (l) hospedagens; (m) exposição midiática de presidenciável; (n) protagonismo em metade das inserções de propaganda partidária gratuita no rádio e na televisão; (o) produção de conteúdo e estratégia de campanha; e (p) pesquisas eleitorais. Ou seja, não é um conjunto que esteja ao alcance das possibilidades do pré-candidato médio ao Senado pelo estado do Paraná”.

Caso o senador seja condenado e perca o mandato, haverá novas eleições para ocupar a vaga do Paraná no Senado. No entanto, o resultado final ainda deve demorar, pois as duas partes ainda poderão apresentar recurso ao TSE.

Adiamento

O julgamento de Moro estava marcado inicialmente para 8 de fevereiro, no entanto teve a data suspensa pelo novo presidente do TRE, Sigurd Roberto Bengtsson, em 1º de fevereiro sob o argumento de que ainda era necessário definir o novo membro da Corte. A vaga de juiz do TRE, que estava aberta na classe de advogado efetivo, foi preenchida por José Rodrigo Sade. A tendência é que o novo juiz participe do julgamento dos casos de Moro.